domingo, 5 de julho de 2026

Òṣun transforma sangue menstrual em penas de papagaio

Òṣàlá tinha três mulheres.
A esposa principal era uma filha de Òṣun, que era encarregada de zelar pelos alvos paramentos
e pelas ferramentas que usava Òṣàlá nas grandes celebrações.
As outras mulheres invejavam a posição da filha de Òṣun e muitas vezes criaram situações embaraçosas para prejudicá-la.
Um dia, a filha de Òṣun limpava as ferramentas de Òṣàlá e as deixou no sol para secar enquanto cuidava de outras coisas.
Vieram as duas outras mulheres e jogaram os objetos de Òṣàlá no mar.
A filha de Òṣun não encontrou as ferramentas do Grande Orisá e julgou, desesperada, que por conta disso pagaria caro demais.
No dia da festa a filha de Òṣun nem levantou da cama, estava abalada com a alma ferida.
Sabia que na festa Òṣàlá iaria querer usar os seus símbolos.
Uma meninazinha que ela criava lhe pediu para que se levantasse, mas ela se recusou a fazê-lo, tão grande o desânimo que a possuía.
Foi quando passou na rua um pescador vendendo peixes e a mulher mandou a meninazinha comprar alguns para a festa.
Levantou-se e foi a cozinha prepar os peixes e a abrir os peixes, encontrou as ferramentas dentro deles.
As outras duas não desistiram de prejudicar a rival esposa.
Chegou então o momento da festa e no ponto privilegiado da sala, ocupava seu trono Òṣàlá.
Sentada numa cadeira, à sua direita, encontrava-se a esposa principal, a filha de Òṣun enquanto as duas outras acomodavam-se em cadeiras do lado esquerdo.
Aproveitando-se de um momento em que a primeira esposa se ausentou, retirando-se da sala para providenciar a coroa de Òṣàlá, as duas outras puseram na sua cadeira um preparado mágico.
No momento em que ela voltou à sala e se sentou, sentiu o assento pegajoso, molhado quente e estranho.
Ela sangrava, deu-se conta com horror que estava acontecendo.
Saiu correndo em desespero, sabendo que infringira um tabu do marido Òṣàlá.
Òṣàlá não estava acreditando que ela teria se apresentado diante dele em estado de impureza e a expulsou de casa por quebra do tabu.
A triste esposa correu para a casa de sua mãe em busca de socorro.
Òṣun a recebeu carinhosamente e cuidou dela. Triturou folhas e preparou-lhe um banho na bacia.
Banhou seu corpo, lavou o sangue, e vestiu ela em panos limpos e a deixou repousando numa esteira sob a sombra de uma árvore.
Quando Òṣun tirou a filha do banho, o fundo da água era vermelho e não era sangue, eram penas vermelhas do papagaio-da-costa.
No fundo da bacia penas vermelhas estavam depositadas, penas da cauda do papagaio-da-costa, que os iorubás chamam edidé.
Penas raríssimas e muito apreciadas que os iorubás chamam Ekodidé.
Penas que o próprio Òṣàlá considerava um riquíssimo objeto de adorno, das quais os caçadores não conseguiam arranjar-lhe sequer um exemplar.
A filha de Òṣun passou a ir às festas enfeitada com tais penas e um rumor de que Òṣun tinha muitos Ekodidés chegou aos ouvidos de Òṣàlá.
Como ele não conseguia as penas de papagaio pelas mãos dos caçadores, foi um dia à casa de Òṣun perguntar por elas e surpreendeu-se.
Lá estava sua mulher, a filha de Òṣun, coberta com as preciosas plumas.
Òṣàlá  acabou perdoando a esposa e a levou de volta para casa.
Com a filha reabilitada e Òṣàlá satisfeito, Òṣun completara seu prodígio.
Òṣàlá ornou com uma das penas vermelhas sua própria testa e determinou que a partir daquele dia as sacerdotisas dos orisás, as iaôs, quando iniciadas, deveriam também usar o Ekodidé enfeitando suas cabeças raspadas e pintadas, pois assim seriam mais facilmente reconhecidas pelos orisás que tomam seus corpos em possessão para dançar nas festas.
passou a usar o ecodidé (pena do papagaio real) em sua testa, como símbolo de perdão e transformação.

Òṣàlá se tornou o senhor do Ekodidé, e determinou que todos que fossem consagrados aos Orisás, deveriam usar no orí, no ritual de iniciação, a pena sagrada como símbolo de reconhecimento e honraria ao seu poder.

Ẹni tí ó gbe Ìkódídẹ lórí ń gbé ní àlàáfíà! (Quem levou Ìkódídẹ na cabeça vive em paz!)


Òṣàlá é o Oriṣá da criação, da pureza e da paz. Ele é também considerado como o Òrìṣà da sabedoria e do equilíbrio, e senhor da roupa branca, cor que simboliza a sua serenidade e luz espiritual.
Um dos elementos mais sagrados e poderosos associados a Òṣàlá , é o ìkódídẹ (ekodidé), a pena da cauda do papagaio vermelho, que é de extrema importância nos rituais afro-religiosos. Essa pena simboliza proteção, vitalidade e tem ligação direta com outras divindades e ancestrais.
No Candomblé, o ecodidé é utilizado no ritual de iniciação de ìyàwó, e simboliza a ligação do seu Orí com Òṣàlá, o criador de todas as cabeças. Além dessa ligação com o Oriṣá criador, O Ekodidé, serve com utensílio sagrado de proteção e purificação.

A conexão entre Òṣàlá e o Ekodidé, também reflete a harmonia entre o espiritual e o material, enfatizando a importância de viver em equilíbrio e respeito com a natureza e o universo.
Através do culto a Òṣàlá e da utilização do Ekodidé no orí, os àwọn Ọmọ Òrìṣà (os filhos de santo) alcançam uma vida plena, serena e alinhada com os princípios sagrados.

Os yorubás usam o ecodidé em indumentárias ritualísticas, como um símbolo de honra e respeito a Òṣàlá. Eles acreditam ainda, que pelo fato do Ekodidé ser ligado ao grande Òrìṣà, ele representa a união da pureza espiritual com a força vital, oferecendo assim para quem o usa, uma trajetória de luz, proteção e sabedoria.

O Ekodidé é tão valioso no culto a Òrìṣà, que celebrá-lo e honrá-lo, é perpetuar uma tradição ancestral que reverência às forças do universo e a vida aqui no ayé.


terça-feira, 26 de agosto de 2025

A Primeira Ekede

Foi criada a d’angola , quando habitantes de uma aldeia estavam sendo assombrados por Ikú , que por ordem do grande rei pegaram uma galinha preta e pintaram com efun , e quando Ikú viu aquele animal estranho fugiu assustado e nunca mais voltou.
A d’angola que passou a ser um animal sagrado e fez dela seu primeiro Yao.
Até que um dia resolveu fazer uma mucama e assim foi criado o primeiro vodunci que mais tarde se tornaria uma sacerdotiza.
Vendo que a noticia se espalhara depressa e que os outros voduns fariam foi consultado Ifá e resolveu fazer uma reunião e consultou Orunmilá que convidou todos os voduns .
Chegando a reunião Orunmilá ordenou que cada vodun escolhesse ainda no ventre da mãe uma criança para que ela fosse o sacerdote do vodun e que não virasse com nada . Já que se na terra fariam voduncis e mais tarde seriam sacerdotes quem zelaria por eles , se todos virassem com vodun quem olharia pela casa de santo por tudo , quem zelaria por eles voduns quando viessem no ori dos vodunces.

Assim surgiu a primeira ekede do ventre de uma mucama!

Oye é uma posição sacerdotal nos candomblés de nação, pessoas são escolhidas para exercer determinadas funções para o bom andamento da casa religiosa. Aqueles que possuem oye são chamados ” oloye masculino ” e ” ajoye feminino”.

Essas pessoas serão adosu ou não , recebem o cargo na confirmação ou em sua iniciação de acordo com sua capacidade. Essas pessoas não adosu são os verdadeiros Ogan e Ekede que nascem com os sete anos como reza a tradição, há casas que raspam para esses cargos, porém, esses iniciados não possuem status dos antigos e devem contar seu tempo de iniciação tal qual um Iyáwò, portanto não é de bom senso raspar e sim confirmar, destarte, afirmar que não existe Ogan's e Ekede para divindades como caboclos, baianos, esus, etc.

Todos oye são para os òrìsà.

Os títulos keto correspondem, sobretudo à estrutura da casa com seus fundamentos, por exemplo: o àtà – culmiera, ise (àsè opa) – ilê Omolu e família, ibo, etc.

A palavra oloye significa Ol = aquele que possui, oye um titulo e ajoye também, as ekedjis são chamadas assim nas casas grandes ou ìyákoroba.

A palavra oloye segundo mãe Stella do Afonja pode ser traduzido como conselheiro, que está registrado em seu ultimo ensaio Meu Tempo é Agora.

As ekedi são confirmadas para casa de axé ou para o orisa que a suspendeu e se for o caso dela ser ekedi do orisa do sacerdote, ele não poderá por a mão e sim seu zelador, não pode o orisa confirmar ou raspar ninguém, o orisa não vem para o aye para isso é desnecessário explicar um assunto tão falado já .

As Ekedi podem ser: Iyalaso: Cuida das roupas, Iyale, mãe da casa, auxiliar direta da Iyalorisa e Iya Kekere, Dejó (Dere em jeje), as mais antigas, Ekedi é o Ipo (cargo), depois vem o Oye específico as condições de cada uma.....

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Malandra Maria do Morro







A Malandra Maria do Morro foi aceita rapidamente para ajudar as pessoas.  

Maria nasceu, viveu e morreu no morro. 

A Malandra Maria do Morro é uma malandra que desencarnou há bem pouco tempo, mas foi rapidamente aceita e tratada para ajudar as pessoas. 

Maria do Morro nasceu, viveu e morreu no morro. 

Nasceu de família simples e tinha muitos irmãos, porém o pai abandonou a família quando ainda era pequena. Sua mãe era lavadeira e ela a ajudava como podia arrumando a casa, cozinhando e cuidando dos irmãos.

Maria do Morro amava a favela, amava o jeito como as pessoas viviam ali, amava o samba e foi no samba que se apaixonou por um negro forte, alto, sambista, era um Malandro e levava uma vida bandida. 

Ele compôs muitos sambas em homenagem a ela e procurava sempre levá-la para as boemias, porém Maria do Morro era muito ciumenta e ele muito malandro e mesmo morando juntos a união não deu certo. 

Os dois brigavam muito e ele a deixava em casa para ir para as farras. 

Maria era muito esperta e não queria ser passada para trás e numa dessas brigas ela quebrou uma garrafa e partiu para cima do Malandrão que sacou uma arma e deu três tiros em Maria. 

Vieram pessoas de todos os lugares e a senhora lavadeira quando viu sua filha estirada no chão morta, se pôs a chorar.

O malandrão tentou pular o muro e ficou preso num beco sem saída e acabou preso. 

Maria desencarnada, sentia fortes dores na cabeça e ficou desesperada ao ver seu corpo sangrando e sua mãe debruçada chorando. 

Gritou. Gritou muito mas ninguém podia ouvi-la, foi assim que ela viu uma luz que vinha de longe e que tomava a forma de uma mulher e esta lhe disse:

Maria não temas, suas dores logo cessarão, sua mãe irá melhorar e você receberá ajuda. 

Esta mulher tirou Maria daquele lugar e a levou para um terreiro de Umbanda e a explicou sobre os trabalhos na linha da malandragem. 

Maria nunca havia sido religiosa, mas gostou do que ouvia a respeito da caridade e do amor ao próximo, atuando num trabalho como entidade na Linha das Malandras. 

Após meses e meses se preparando, Maria recebeu o nome de Maria do Morro. Ela perdoou o homem que a matou mas jurou nunca mais amar ninguém.clique aqui


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