terça-feira, 26 de agosto de 2025

A Primeira Ekede

Foi criada a d’angola , quando habitantes de uma aldeia estavam sendo assombrados por Ikú , que por ordem do grande rei pegaram uma galinha preta e pintaram com efun , e quando Ikú viu aquele animal estranho fugiu assustado e nunca mais voltou.
A d’angola que passou a ser um animal sagrado e fez dela seu primeiro Yao.
Até que um dia resolveu fazer uma mucama e assim foi criado o primeiro vodunci que mais tarde se tornaria uma sacerdotiza.
Vendo que a noticia se espalhara depressa e que os outros voduns fariam foi consultado Ifá e resolveu fazer uma reunião e consultou Orunmilá que convidou todos os voduns .
Chegando a reunião Orunmilá ordenou que cada vodun escolhesse ainda no ventre da mãe uma criança para que ela fosse o sacerdote do vodun e que não virasse com nada . Já que se na terra fariam voduncis e mais tarde seriam sacerdotes quem zelaria por eles , se todos virassem com vodun quem olharia pela casa de santo por tudo , quem zelaria por eles voduns quando viessem no ori dos vodunces.

Assim surgiu a primeira ekede do ventre de uma mucama!

Oye é uma posição sacerdotal nos candomblés de nação, pessoas são escolhidas para exercer determinadas funções para o bom andamento da casa religiosa. Aqueles que possuem oye são chamados ” oloye masculino ” e ” ajoye feminino”.

Essas pessoas serão adosu ou não , recebem o cargo na confirmação ou em sua iniciação de acordo com sua capacidade. Essas pessoas não adosu são os verdadeiros Ogan e Ekede que nascem com os sete anos como reza a tradição, há casas que raspam para esses cargos, porém, esses iniciados não possuem status dos antigos e devem contar seu tempo de iniciação tal qual um Iyáwò, portanto não é de bom senso raspar e sim confirmar, destarte, afirmar que não existe Ogan's e Ekede para divindades como caboclos, baianos, esus, etc.

Todos oye são para os òrìsà.

Os títulos keto correspondem, sobretudo à estrutura da casa com seus fundamentos, por exemplo: o àtà – culmiera, ise (àsè opa) – ilê Omolu e família, ibo, etc.

A palavra oloye significa Ol = aquele que possui, oye um titulo e ajoye também, as ekedjis são chamadas assim nas casas grandes ou ìyákoroba.

A palavra oloye segundo mãe Stella do Afonja pode ser traduzido como conselheiro, que está registrado em seu ultimo ensaio Meu Tempo é Agora.

As ekedi são confirmadas para casa de axé ou para o orisa que a suspendeu e se for o caso dela ser ekedi do orisa do sacerdote, ele não poderá por a mão e sim seu zelador, não pode o orisa confirmar ou raspar ninguém, o orisa não vem para o aye para isso é desnecessário explicar um assunto tão falado já .

As Ekedi podem ser: Iyalaso: Cuida das roupas, Iyale, mãe da casa, auxiliar direta da Iyalorisa e Iya Kekere, Dejó (Dere em jeje), as mais antigas, Ekedi é o Ipo (cargo), depois vem o Oye específico as condições de cada uma.....

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Malandra Maria do Morro







A Malandra Maria do Morro foi aceita rapidamente para ajudar as pessoas.  

Maria nasceu, viveu e morreu no morro. 

A Malandra Maria do Morro é uma malandra que desencarnou há bem pouco tempo, mas foi rapidamente aceita e tratada para ajudar as pessoas. 

Maria do Morro nasceu, viveu e morreu no morro. 

Nasceu de família simples e tinha muitos irmãos, porém o pai abandonou a família quando ainda era pequena. Sua mãe era lavadeira e ela a ajudava como podia arrumando a casa, cozinhando e cuidando dos irmãos.

Maria do Morro amava a favela, amava o jeito como as pessoas viviam ali, amava o samba e foi no samba que se apaixonou por um negro forte, alto, sambista, era um Malandro e levava uma vida bandida. 

Ele compôs muitos sambas em homenagem a ela e procurava sempre levá-la para as boemias, porém Maria do Morro era muito ciumenta e ele muito malandro e mesmo morando juntos a união não deu certo. 

Os dois brigavam muito e ele a deixava em casa para ir para as farras. 

Maria era muito esperta e não queria ser passada para trás e numa dessas brigas ela quebrou uma garrafa e partiu para cima do Malandrão que sacou uma arma e deu três tiros em Maria. 

Vieram pessoas de todos os lugares e a senhora lavadeira quando viu sua filha estirada no chão morta, se pôs a chorar.

O malandrão tentou pular o muro e ficou preso num beco sem saída e acabou preso. 

Maria desencarnada, sentia fortes dores na cabeça e ficou desesperada ao ver seu corpo sangrando e sua mãe debruçada chorando. 

Gritou. Gritou muito mas ninguém podia ouvi-la, foi assim que ela viu uma luz que vinha de longe e que tomava a forma de uma mulher e esta lhe disse:

Maria não temas, suas dores logo cessarão, sua mãe irá melhorar e você receberá ajuda. 

Esta mulher tirou Maria daquele lugar e a levou para um terreiro de Umbanda e a explicou sobre os trabalhos na linha da malandragem. 

Maria nunca havia sido religiosa, mas gostou do que ouvia a respeito da caridade e do amor ao próximo, atuando num trabalho como entidade na Linha das Malandras. 

Após meses e meses se preparando, Maria recebeu o nome de Maria do Morro. Ela perdoou o homem que a matou mas jurou nunca mais amar ninguém.clique aqui


 #Entidades 

#Umbanda 

#Guias 

#Malandragem 

#Malandra 

domingo, 2 de junho de 2024

Caboclo Pena Branca

 


Pena Branca nasceu em aproximadamente 1425, na região central do Brasil, hoje, entre Brasília e Goiás, onde seu pai era o Cacique da tribo.
Era o filho mais velho de seus pais e desde cedo se mostrou com um diferencial entre os outros índios da mesma tribo, era de uma extraordinária inteligência. Na época não havia o costume de fazer intercâmbios e trocas de alimentos entre tribos, apenas algumas tribos faziam isto, pois havia uma cultura de subsistência, mas o Cacique Pena Branca foi um dos primeiros a incentivar a melhora de condições das tribos, e por isso assumiu a tarefa de fazer intercâmbios com outras tribos, entre elas a Jê ou Tapuia e Nuaruaque ou Caríba.
Quando fazia uma de suas peregrinações ele conheceu na região do nordeste brasileiro (hoje Bahia), uma índia Tupinambá que viria a ser a sua mulher, chamava-se “Flor da Manhã” a qual foi sempre o seu apoio.

Certo dia Pena Branca estava em cima do Monte Pascoal no sul da Bahia, e foi o primeiro a avistar a chegada dos portugueses nas suas naus, com grandes cruzes vermelhas no leme. Esteve presente na primeira missa realizada no Brasil pelos Jesuítas, na figura de Frei Henrique de Coimbra. Desde então procurou ser o porta-voz entre índios e os portugueses, sendo precavido pela desconfiança das intenções daqueles homens brancos que ofereciam objetos, como espelhos e pentes, para agradá-los.

Aprendeu rapidamente o português e a cultura cristã com os jesuítas.

Teve grande contato com os corsários franceses que conseguiram penetrar (sem o conhecimento dos portugueses) na costa brasileira – muito antes das grandes invasões de 1555 – aprendeu também a falar o francês. Os escambos, comércio de pau-brasil entre índios e portugueses, eram vistos com reservas por Pena Branca, pois ali começaram as épocas de escravidão indígena e a intenção de Pena Branca sempre foi a de progredir culturalmente com a chegada desses novos povos, aos quais ele chamava de amigos.

O Cacique Pena Branca faleceu no ano de 1529, com 104 anos de idade, deixando grande saudade a todos os índios do Brasil, sendo reconhecido na espiritualidade como servidor na assistência aos índios brasileiros, junto com outros grandes espíritos, como o Cacique Cobra Coral e Cacique Tupinambá.

Apesar de não ter conhecido o Padre José de Anchieta em vida, já que este chegou ao Brasil em meados de 1554, Pena Branca foi um dos espíritos que ajudou este abnegado jesuíta no seu desligamento desencarnatório e por isso Padre José de Anchieta trabalha atualmente em conjunto com Mestre Pena Branca.

Yemanjá Assaba


 

Yemanjá Assaba ou Sobá é a sexta Yemanjá, senhora do Algodão, esposa de Orumilá Ifá, traz o dom da previsão.

Seus filhos costumam ter o dom da videncia ou são intuitivos, por isso a intitulamos como velha, a mais velha, devido ao sei Itan que conta porque ela manca, em sua dança ela faz o gesto de mancar, mais isso é para lembrar a luta que teve com Esu, no qual teve a perna ferida, brinca com as mãos imitando o balanço das águas, é jovem, apesar de ser uma das Yemajás mais velhas, razinza e feiticeira, fala de costas, fia as roupas de Osala, comanda as camadas profundas do mar.
Tem ligação com Omulu, Osun karê e Osala, usa uma corrente de prata no tornozelo, veste branco e prata e adora pérolas, traz o abebê e seus pedidos e fundamentos são feitos em um amontoado de algodão.

Um pouco sobre Yemanjá

Yemajá ou Yemoja

Vem da expressão Iorubá Yéyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes")

Existem algumas representações utilizadas para Yemanja como Asèssu, Iemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja, é um orixá africano. Na Mitologia Yoruba, a dono do mar é Olokun que é o Pai de  Yemojá.

Yemojá, é saudada com Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Orixá do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé)), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. Cultuada no rio Ògùn em Abeokuta.

A rainha do mar, também é conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.

Pierre Verger ou Pierre Edouard Leopold Verger foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro, babalawo, que é um sacerdote Yoruba. Verger dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana, as religiões afro-derivadas do novo mundo, bem como os seus fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África. No livro Dieux D’Afrique registrou: “Yemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros.”

No Brasil, Iemanjá é muito popular entre os seguidores de religiões afro-brasileiras. Em Salvador ocorre no dia 2 de Fevereiro, uma das maiores festas do país em homenagem à “Rainha do Mar”. A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão levando uma  variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.

Outra festa importante dedicada a Yemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a dividade. A celebração também inclui o tradicional “Banho de pipoca” e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orisá.


Existem algumas qualidade de Yemanjá:

Yemowô – que na África é mulher de Oxalá,

Iyamassê – é a mãe de Sàngó,

Yewa – rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Yemanjá,

Olossa – lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún,

Ogunté – que casa com Ògún Alagbedé,

Asèssu – muito voluntariosa e respeitável,

Saba ou Assabá – está sempre fiando algodão, é a mais velha e ao mesmo tempo é a mais jovem.


* Arquétipo dos seus filhos:
Voluntarioso
Fortes
Rigorosos
Protetores
Caridosos
Solidários em extremo
Ingênuos
Amigo
Tímido
Vaidosos com os cabelos principalmente
Altivos
Temperamentais
Algumas vezes impetuosos e dominadores
Tem um certo medo do mar.

No Brasil, Iemanjá na versão de Pierre Verger, representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos


segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Esu João Caveira

 O Esu João Caveira, é uma entidade da falange de Esu Caveira, uma linha de espíritos de esquerda que trabalha no campo astral e nos terreiros espalhados pelo mundo.
É uma das entidades encarregadas de guiar e encaminhar as almas de pessoas desencarnadas que vagam pelos cemitérios.
Sendo assim, é justamente devido a sua função, que João Caveira costuma ser representado por um homem carregando um crânio humano.
O Esu João Caveira é o encarregado de lembrar almas das condições humanas que as mesmas possuem, ou possuíam.
Sua incorporação geralmente tende a ser um pouco mais violenta, sendo uma apresentação mais séria, fechada e direta ao ponto.


.O Exu João Caveira contou uma de suas vidas passadas.

Disse que na Idade Média, foi um fiel conselheiro de um senhor feudal.
Criada uma situação no feudo de difícil solução, foi solicitada a sua opinião para decidir a questão.
Se decidisse de uma forma, agradaria todos os senhores, e de outra forma, faria justiça a todos os desafortunados moradores do lugar.
Para ganhar a simpatia do lado forte, decidiu pela primeira hipótese, mesmo contrariando a sua vontade, que em nenhum momento expressou.
Por causa disso, ganhou um carma enorme, que está resgatando nos terreiros.

Conta ele...

Fui aceito pelo divino trono e nomeado Exu a mais ou menos dois milênios, depois de minha última passagem pela terra, a qual fui um pecador miserável e desencarnei amarrado ao ódio, buscando a vingança, dando vazas ao meu egoísmo, vaidade  e todos os demais vícios humanos que se possa imaginar.

Fui senhor de um povoado onde habitava a beira do grande rio sagrado. Nossa aldeia cultuava a natureza e inocentemente fazia oferendas cruéis de animais e fetos humanos. Até que minha própria mulher engravidou e o sumo sacerdote, decidiu que a semente que crescia no ventre de minha amada, devia ser sacrificado, para acalmar o Deus da tempestade. Obviamente eu não permiti que tal infortúnio se abatesse sobre a minha futura família, até porque se tratava de meu primeiro filho. Mas, todo o meu esforço foi em vão. Em uma noite tempestuosa, os homens da aldeia reunidos, invadiram a minha tenda silenciosamente, roubaram minha mulher e a violentaram, provocando imediato aborto, e com o feto fizeram a inútil oferenda no poço dos sacrifícios. Meu peito se encheu de ódio e eu nada fiz para contê-lo. Simplesmente enquanto houve vida em mim, eu matei um a um dos algozes de minha esposa inclusive o tal sacerdote.

Passei a não crer mais em Deuses, pois o sacrifício foi inútil. Tanto que meu povoado sumiu da face da terra, soterrado pela areia, Tamanha foi a fúria da tempestade. De repente o que era rio virou areia e o que era areia virou rio. Mas meu ódio persistia. Em meus olhos havia sangue e tudo o que eu queria era sangue.

Sem perceber, estava sendo espiritualmente influenciado pelos homens que matei, que se organizaram em uma trevosa falange afim de me ver morto também. O sacerdote era o líder. Passei então a ser vítima do ódio que semeei.

Sem morada e sem rumo, mas com um tenebroso exército de homens odiosos, avançamos contra várias aldeias e povoados, aniquilando vidas inocentes e temerosamente assombrando todo o Egito antigo. Assim invadimos terras e mais terras, manchamos as sagradas águas do Nilo de sangue, bebíamos e nos entregávamos a todas as depravações com todas as mulheres que capturávamos. Foi uma aventura horrível. Quanto mais ódio eu tinha, mais eu queria ter. Se eu não poderia ter minha mulher, então que nenhum homem em parte alguma poderia ter.

Entreguei-me à outros homens, mas ao mesmo tempo violentava bruscamente as mulheres.

As crianças, lamentavelmente nós matávamos sem piedade. Nosso rastro, era de ódio e destruição completas. Até que chegamos aos palácios de um majestoso faraó, que também despertava muito ódio em alguns muito interessados em destruí-lo, pois os mesmos não concordavam com sua doutrina e religião. Eis que então fomos pagos para fazer o que tínhamos prazer em fazer, matar o faraó. Foi decretada então a minha morte. Os fiéis soldados do palácio, que eram muito numerosos, nos aniquilaram com a mesma impiedade que tínhamos para com os outros. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Isto coube na medida exata para conosco. 

Parti para o inferno. Mas não falo do inferno aos quais as pessoas estão acostumadas a ouvir nas lesdas das religiões efêmeras que pregam por aí. O inferno ao qual me refiro é o inferno da própria consciência. Este sim é implacável. Vendo o meu corpo inerte, atingido pelo golpe de uma espada, e sangrando, não consegui compreender o que estava acontecendo. Mas o sangue que jorrava me fez recordar de todas as minhas atrocidades. Olhei todo o espaço ao meu redor, e, tudo o que vi foram pessoas mortas. Tudo se transformou de repente. Todos os espaços eram preenchidos com corpos imundos e fétidos, caveiras e mais caveiras se aproximavam e se afastavam. Naquele êxtase, caí derrotado. Não sei quanto tempo fiquei ali, inerte e chorando, vendo todo aquele horror.

Tudo era sangue, um fogo terrível ardia em mim e isso era ainda o mais cruel. Minha consciência se fechou em si mesma. O medo se apossou de mim, ja não era mais eu, mas sim o peso dos meus erros que me condenava. Nada eu podia fazer. As gargalhadas vinham de fora e atingiam os meus sentidos bem lá no fundo. O medo aumentava e eu chorava cada vez mais. Lá estava eu, absolutamente derrotado por mim mesmo, pelo meu ódio cada vez mais sem sentido. Onde estava o amor com que eu construí meu povoado? Onde estavam meus companheiros? Minha querida esposa? Todos me abandonaram. Nada mais havia a não ser choro e ranger de dentes. Reduzí-me a um verme, jogado nas trevas de minha própria consciência e somente quem tem a outorga para entrar nessa escuridão e quem pode avaliar o que estou dizendo, porque é indescritível. Recordar de tudo isso hoje, já não me traz mais dor alguma, pois muito eu aprendi deste episódio triste da minha vida espiritual. 

Por longos anos eu vaguei nessa imensidão escura, pisoteado pelos meus inimigos, até o fim das minhas forças. Já não havia mais suspiros, nem lágrimas, nem ódio, nem amor, enfim, nada que se pudesse sentir. Fui esgotado até a ultima gota de sangue, tornei-me um verme. E na minha condição de verme, eu consegui num último arroubo de minha vil consciência pedir socorro a alguém que pudesse me ajudar. Eis que, então, depois de muito clamar, surgiu alguém que veio a tirar-me dali, mesmo assim arrastado. Recordo-me que estava atado a um cavalo enorme e negro e o cavalheiro que o montava assemelhava-se à um guerreiro, não menos cruel do que eu fui. Depois de longa jornada, fui alojado sobre uma pedra. Ali me alimentaram e cuidaram de mim com um desvelo incompreensível. Será que ouviram meus apelos? Perguntava-me intimamente.

Sim claro, senão eu ainda estaria la naquele inferno, respondia-me a mim mesmo. Cale-se e aproveite o alvitre que vosso pai vos concedeu. - Disse uma voz vinda não sei de onde. O que eu não compreendi e como ele tinha me ouvido, já que eu não disse palavra alguma, apenas pensei, mas ele ouviu. Calei-me por completo.

Por longos e longos anos fiquei naquela pedra, semelhante a um leito, até que meu "corpo" se refez e pude levantar-me novamente. Apresentou-se então meu salvador. Um nobre cavaleiro, armado até os dentes. Carregava um enorme tridente cravejado de rubis flamejantes. Seu porte era enorme. Ele usava uma cartola, mas eu não consegui ver seu rosto.Não tente me olhar imbecil, o dia que te veres, verás a mim, por que aqui todos somos iguais.

Disse o homem em tom severo. Meu corpo tremia e eu não conseguia conter, minha voz não saia e eu olhava baixo, resignando-me perante suas ordens.

- Fui ordenado a conduzir-lhe e tenho-te como escravo. Deves me obedecer se não quiseres retornar aquele antro de loucos onde estavas. Siga minhas instruções com atenção e eu lhe darei trabalho e comida. Desobedeça e terá o castigo merecido.

- Posso saber o seu nome, nobre senhor?

- Por enquanto não, no tempo certo eu revelarei, agora cala-te, vamos ao nosso primeiro trabalho.

- Esta bem.

Segui o homem, ele a cavalo e eu corria atras dele, como um serviçal. Vagamos por aqueles lugares sujos e executamos varias tarefas juntos. Aprendi a manusear as armas, que me foram dadas depois de muito tempo. Aos poucos meu amor pela criação foi renascendo. As varias lições que me foram passadas me faziam perceber a importância daqueles trabalhos no astral inferior. Gradativamente fui galgando os degraus daquele mistério com fidelidade e carinho.

Ganhei a confiança de meu chefe e de seus superiores. Fui posto a prova e fui aprovado. Logo aprendi a volitar e plasmar as coisas que queria. Foram anos e anos de aprendizado. Não sei contar o tempo da terra, mas, asseguro que menos de cem anos não foram.

Foi então, que em uma assembléia repleta de homens iguais ao meu chefe, eu fui oficialmente nomeado Exu. Nela eu me apresentei ao senhor Omulu e ao divino trono, assumindo as responsabilidades que todo o Exu deve assumir se quiser ser Exu.

- Amor ao criador e às suas leis;

- Amor a criação do pai e a todas as suas criaturas;

- Fidelidade acima de tudo;

- Compreensão e estudo, para julgar com a devida sabedoria;

- Obedecer as regras do abaixo, assim como as do acima;

E algumas outras regras que não me foi permitido citar, dada a importância que elas tem para todos os Exus.

A principio trabalhei na falange de meu chefe, por gratidão e simpatia. Mas logo surgiu-me a necessidade de ter a minha própria falange, visto que os escravos que capturei já eram em grande número. Por esta mesma época, aquele antigo sacerdote, do meu povoado, lembram-se? Pois é, ele reencarnou em terras africanas e minha esposa deveria ser a esposa dele, para que a lei se cumprisse. Vendo o panorama do quadro que se formou, solicitei imediatamente uma audiência com o Divino Omulu, e com o senhor Ogum-Avagã para que eu pudesse ser o guardião do meu antigo algoz. Meu pedido foi atendido. Se eu fosse bem sucedido, poderia ter a minha falange. Assim assumi à esquerda do sacerdote, que, na aldeia em que nasceu, foi preparado desde menino para ser o Babalorixá em substituição ao seu pai de sangue. A filha do Babalao era minha ex esposa que estava prometida ao seu antigo algoz. Assim se desenvolveu a trama que pôs fim as nossas diferenças, minha ex mulher deu a luz a vinte e quatro filhos e todos eles foram criados com o devido cuidado. Muito trabalho eu tive naquela aldeia. Até que as invasões, as capturas e o comércio de negros para o Ocidente se fizeram. Os trabalhos redobraram, pois tínhamos que conter toda a revolta e o ódio que emanava dos escravos africanos, presos aos porões dos navios negreiros.

Mas meu protegido, já estava velho e foi poupado, porém seus filhos não, todos foram escravizados. Mas era a lei e ela deveria ser cumprida.

Depois de muito tempo uma ordem veio do encima: Todos os guardiões devem se preparar, novos assentamentos serão necessários, uma nova Religião irá nascer, o que para nós era em breve, pois não sei se perceberam, mas o tempo espiritual e diferente do material. Preparamo-nos, conforme nos foi ordenado, até que a Umbanda foi inaugurada. Então eu fui nomeado Guardião à esquerda do Sagrado Omulu, e pude então assumir minha falange, meus graus e meus degraus. Novamente assumi a obrigação de conduzir meu antigo algoz, que hoje está no encima, feito meritóriamente alcançado, devido a todos os trabalhos e sacrifícios feitos em favor da Umbanda e do bem.

Hoje, aqui no embaixo, comando uma falange dos Exus Caveira, e somente após muitos e muitos anos eu pude ver minha face em um espelho, e pude ver que ela é igual do meu grande e querido tutor o Grande Senhor Exu Tata Caveira, a quem devo muito respeito e carinho. Não confundam o Exu João Caveira Com o Exu Tata Caveira, os trabalhos são semelhantes mas os mistérios são diferentes. Tata Caveira trabalha nos sete campos da fé. Exu João Caveira, trabalha nos mistérios da geração na calunga, porque é lá que a vida se transforma, dando lugar a geração de outras vidas. Onde há infidelidade e desrespeito para com a geração da vida ou aos seus semelhantes, Exu João Caveira atua, desvitalizando e conduzindo no caminho correto, para que não caiam nas presas doloridas e impiedosas, pois não desejo a ninguém um décimo do que passei. Se vossos atos forem bons e louváveis perante a geração e ao Pai Maior, então vitalizamos e damos forma a todos os desejos de qualquer um que queira usufruir dos benefícios dos meus mistérios. De qualquer maneira, o amor impera, sim, o amor, e porque Exu não pode falar de amor? Ora, se foi por amor que todo o Exu foi salvo, então o amor é bom e o respeito a ele conserva-nos no caminho. Este é o meu mistério. Em qualquer lugar da calunga, pratique com amor e respeito a sua Religião, pois Exu João Caveira abomina a traição e infidelidade, como, por exemplo, o aborto, isto não é tolerado por mim, e todos que praticam tal ato são então condenados a viver sob as hostes severas de meu mistério.

Peça o que quiser com fé, e com fé lhes trarei, pois todos os Exus Caveira são fiéis a seus médiuns e aqueles que nos procuram.

A falange dos Exus Caveira pertence ao Grande Tata Caveira, os demais não posso citar, falo apenas do meu mistério, pois dele eu tenho conhecimento e licença para abrir o que acho necessário e básico para o vosso aprendizado, quanto ao mais, busquem com vossos Exus pessoais, que são grandes amigos de seus filhos e certamente saberão orientar com carinho sobre vossas dúvidas. Mais a mais, se um Exu de minha falange consegue vencer através de seu médium ou protegido, ele automaticamente alcança o direito de sair do embaixo e galgar os degraus da evolução em outras esferas.


Laroyê Esu João Caveira!

terça-feira, 21 de março de 2023

Esu faz o primeiro Ogã

Uma das lendas diz que o primeiro Alagbe foi Exú.
Ele tocava e cantava para os outros Orixás poderem dançar, durante as suas reuniões. 
Entretanto, o toque de Exu era bem alto e estridente, impossibilitando os outros Orixás de conversarem. 
Um dia, eles se irritaram com Exú e o mandaram parar de tocar.
Algum tempo depois começaram a sentir falta dos ritmos de Exú para dançar. 
As reuniões estavam sem graça e desanimada. 
A festa de Exú estava fazendo muita falta. 
Foram então a procura de Exú para que ele voltasse a tocar seus ritmos maravilhosos. 
Entretanto, Exú sendo muito orgulhoso recusou-se, mas, compadecido, disse que ensinaria os ritmos e toques ao primeiro homem que encontrasse pelo seu caminho.
O primeiro homem que Exú encontrou chamava-se Ogã, e como prometido Exú ensinou todos os ritmos dos demais Orixás a ele.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Itan de Esu - Como ele se tornou o rei da encruzilhada

Esu ganhou o direito de ser o primeiro a ser homenageado e oferendado nas casas de asé, ao se aproximar de Oxalá e tornar-se seu ajudante.

Esu o grande senhor que demarca principalmente os territórios utilizados por nós em seus caminhos, ganhou poder sobre a encruzilhada. 
Esu não tinha riqueza, ão tinha profissão, nem missão. Por isso, Esu vagava pelo mundo sem rumo certo
Então, um dia, ele passou a frequentar a casa de Osalá, todos os dias. 
Lá, ele se distraía vendo o bom velhinho dando vida aos seres humanos.
Muitos também vinham visitar Osalá, mas ali ficavam pouco: 4 dias, 8 dias. Traziam oferendas, elogiavam o velho Orisá, apreciavam sua obra, mas partiam sem nada aprender com Osalá. 
Esu, no entanto, ficou na casa de Osalá por 16 anos e, durante esse tempo, apenas observava. 
Esu prestava muita atenção na modelagem e aprendeu como Osalá fabricava cada parte do corpo dos homens e das mulheres, as mãos, os pés, a boca, os olhos, tudo. Esu aprendeu tudo, literalmente!

Um dia, Osalá tinha cada vez mais humanos para fazer e não queria perder tempo recolhendo os presentes que todos lhe ofereciam, então, ele disse a Esu para ir postar-se na encruzilhada por onde passavam os que vinham a sua casa, para ficar ali e não deixar passar quem não trouxesse uma oferenda. 
Osalá nem tinha tempo para as visitas. Esu tinha aprendido tudo e agora podia ajudar Osalá.
Esu coletava os ebós para Osalá, recebia as oferendas e as entregava. Esu fazia muito bem o seu trabalho e, assim Osalá então decidiu compensá-lo: assim, Osalá decidiu que todos os que viessem a sua casa, teriam de também de pagar alguma coisa a Esu. E, assim, Esu mantinha-se sempre a postos, guardando a casa de Osalá, armado de um ogó, um poderoso porrete, afastando os indesejáveis e punindo quem tentasse burlar sua vigilância.

Esu trabalhava demais e fez dali a sua casa, na encruzilhada. Ganhou uma rentável profissão, ganhou seu lugar, sua casa. Ficou rico e poderoso. Desde então, ninguém pôde mais passar por uma encruzilhada sem pagar alguma coisa a Esu
.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Cantigas de Erê

 O erê, O erê, onde está o erê? 2x
Onde está a Rosinha, está na cachoeira
Onde está o Trovão, mora na pedreira
Onde está o Folhinha, está na mata a caçar
Onde está o Pedrinho que eu não vejo chegar
O erê, O erê, onde está o erê? 2x
Onde está o Lazinho, com vovô a rezar
Onde está o Paulinho, foi conchinhas catar
Onde está a Aninha, no campo a passear
Onde está Mariazinha que eu não vejo chegar
O erê, O erê, onde está o erê? 2x
Onde estão os eres que eu não vejo chegar
Onde estão os eres venham logo brincar


Cosme e Damião, Damião cadê Doum
Doum foi passear no cavalo de ogum
Lá no céu tem três estrelas


Todas as três em carreirinha (bis)
Uma é Cosme e Damião
A outra é Mariazinha (bis)


Mariazinha da beira da praia
Como é que sacode a saia?
É assim, assim, assim
Assim que sacode a saia
É assim, assim, assim
Assim que sacode a saia


Eu quero doce, eu quero bala, 
Eu quero mel pra passar na sua cara


Titia me deu cocada,
tio me deu guaraná
Titia me deu cocada,
tio me deu guaraná
Gostei foi do caruru
Que a mamãe mandou preparar
Gostei foi do caruru
Que a mamãe mandou preparar
Mamãe me deu caruru,
eu comi caruru de mamãe

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Cantigas de Mainheiro

 Oh marinheiro, marinheiro
Marinheiro só
Quem te ensinou a nadar
Oh marinheiro só
Ou foi o tombo do navio
Marinheiro só
Ou foi o balanço do mar
Marinheiro só
Mais ele vem, vem, vem
Marinheiro só
Ele vem faceiro
Marinheiro só
Todo de branco
Marinheiro só
Com seu bonezinho
Marinheiro só
Mais eu não sou daqui
Marinheiro só
Eu não tenho amor
Marinheiro só
Eu sou da Bahia
Marinheiro só
De são salvador
Marinheiro só
Mais ele vem, vem, vem
Marinheiro só
Ele vem faceiro
Marinheiro só
Todo de branco
Marinheiro só
Ele vem trabalhar
Oh marinheiro só
Meu pai bebeu, bebeu e não me deu
Minha mãe bebeu, eu não sei se vai me dar, 
E assim eu vou bebendo na maresia do mar
A onda me trouxe 
O vento me leva 
Quando a onda passar 
Eu me sento na pedra.
Oh, ( . . . ), 
Que banda é a sua,
Bebendo cachaça,
caindo na rua. (2x)
"Eu bebo minha cachaça
eu bebo muito bem,
Pago com meu dinheiro,
Não é da conta de ninguém".



Seu Marinheiro eu não sei por quê
Toda madrugada eu sonho é com você. (2x) 
Marinheiro é bom,
Bom nesta corrente,
Só um Marinheiro
Pra salvar toda essa gente. (2x)
Já é hora, já é hora,
Boa viagem!
Marinheiro vai embora,
Boa viagem!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Cantigas de Malandro

 Salve a Malandragem!!!


Saia do meio arreda ai vai la pro canto
Saia do meio arreda ai vai lá pro canto
Zum zum zum zum a gira agora é do malandro
Seu zé, É seu zé, meu amigo Malandro de fé ..
Vou enfrentar essa estrada de armadilhas 

É seu Zé que ta chegando
Ze pilintra já chegou
Eta Zé que é arretado
Osala quem lhe mandou
Pai Ogun é seu amigo
Pela esquerda ele andou
Bebeu cachaça com Seu
Com Pombogira ele dançou
É seu Zé que ta chegando
Ze pilintra já chegou
Eta Zé que é arretado
Osala quem lhe mandou
Ele quebra a demanda
Catimbó despedaçou
Eita Zé que é mulherengo
Zé Pelintra é do amor

Se a rádio patrulha chegasse aqui agora
Seria uma grande vitória
Ninguém poderia correr
Se a rádio patrulha chegasse aqui agora
Seria uma grande vitória
Ninguém poderia correr
Agora que eu quero ver
Quem é malandro não pode correr
Agora que eu quero ver
Quem é malandro não pode correr

Zé Pilintra é nego bamba
É nego do chapeu de lado
Zé Pilintra é nego bamba
É nego do chapeu de lado
Quem mexer com Zé Pilintra
Ou ta doido ou ta danado
Quem mexer com Zé Pilintra
Ou ta doido ou ta danado

Oi, Zé quando vem de Alagoas
Toma cuidado, com o balanço da canoa
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher
Oi, Zé faça o que quiser
Só não maltrate o coração desta mulher

Lá na morro era rei e na lapa respeitado 
Hoje numa linda Umbanda Zé Pilintra é louvado 
Só queria malandragem vivia na Boemia 
Era o rei do carteado toda noite e de dia 
É meu amigo
Meu amigo Zé pilintra me Livra de todo o mal 
Amigo como esse nunca vi não tem igual
É meu amigo
 Meu amigo Zé pilintra me livra de todo o mal 
Amigo como esse nunca vi não tem igual
 Sou grato por tudo que faz em nossa Umbanda querida 
Vim aqui agradecer por olhar a minha vida

Pode me chamar de covarde
Mais  não abandono essa mulher
Pode me chamar de covarde
Mais não abandono essa mulher
Isso não é mulher 
É uma tentação
Isso não é mulher 
É uma tentação
Ela joga baralho, ela puxa navalha
Risca faca no chão
Ela joga baralho, ela puxa navalha
Risca faca no chão

De Manhã cedo, quando eu desco a ladeira
A nega pensa que eu vou trabalhar.
Eu boto meu baralho no bolso,
Meu cachecol no pescoço
E vou pra Barão de Mauá.
Trabalhar! Trabalhar,  Trabalhar pra quê?!
Se eu trabalhar, eu vou morrer!

Seu zé, É seu zé, meu amigo Malandro de fé ..
Vou enfrentar essa estrada de armadilhas 
Porque eu sei que nesse caminho é malandro que me guia 
Eu peço forças pro inimigo eu combater 
E que meu mestre zé pelintra ele venha me valer

Vocês estão vendo aquela casa pequenina, 
Lá no alto da colina que mandei fazer...
Vocês estão vendo aquela casa pequenina, 
Lá no alto da colina que mandei fazer...
É lá... Que Malandro mora...
É lá... Que Malandro mora...
Otário não tem moradia!

Zé pilintra tinha dois filhos
Todos os dois ze pilintrinhas
Um tinha duas cabeças
O outro nem cabeça tinha
Seu doutor, seu doutor, bravo senhor
zé pelintra chegou, bravo senhor
com os poderes de deus, bravo senhor
zé pelintra sou eu, bravo senhor
seu doutor, seu doutor, bravo senhor
com os poderes de deus, bravo senhor
zé pelintra sou eu, bravo senhor.
na rua da macaxeira
sete venta se fechou
com uma fumaça contraria 
que zé pelintra mandou
seu doutor, seu doutor, bravo senhor
zé pelintra chegou, bravo senhor
com os poderes de deus, bravo senhor
zé pelintra sou eu, bravo senhor.

Matou um cego dormindo
 Um aleijado sentado
Quem mexer com zé pelintra 
Ou tá doido ou tá danado

Seu Zé pilintra
Onde é que o senhor mora
Seu Zé pilintra
Onde é sua morada
Eu não posso lhe dizer 
Porque você não vai me compreender
Eu nasci no jurema
Minha morada é bem pertinho de oxala

É seu Zé, é seu zé
Meu amigo 
Malandro de fé
No carteado era um grande jogador
Quando esta de terno branco
É confundido com doutor
Ele adora uma cerveja
Ele adora uma mulher
É malandro lá no morro
É conhecido como Zé

Doi, doi, doi, doi, doi
Um amor faz sofrer
Doi, doi, doi, doi, doi
Um amor faz sofrer
Dois amor faz chorar
Quem é você pra deitar na minha cama
Papagaio come milho e papagaio leva a fama

Botequim, botequim
Cabaré me chama
Botequim, botequim
Cabaré me chama
Mas ele é nego de fama

Viiiii, eu vi
De vermelho e branco descendo a ladeira
Com gingado de malandro mestre capoeira
Foi na roda de samba onde ele viveu
E onde ate onde vive o Zé
Oh Zé que tem muitas mulheres e muitos amigos
Mas foi homem valente diante dos perigos
No corte da navalha camisa de seda livrou
Mas foi pego pelas mandingas  do amor
Mas foi pego pelas mandingas  do amor
Oh Zé, oh Ze nunca vi um malandro ser enganado por uma mulher

Olha quem veio de lá pra cá
Descendo o morro... caminhando devagar
É Zé pilintra nego do chapéu virado
Vem descendo a ladeira
Tava la no carteado
Cuidado moço com sorriso do pelintra
Quando joga o baralho 
Seu zé joga
Ele não brinca

Agora pro seu morro vai subir
Meu Deus ele ja vai embora
Conversa de malandro não tem fim
Boa noitem eu senhor
Boa noite minha senhora

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Cantigas de Baiano

 Salve o povo da Bahia


Se ele é baiano
Agora que eu quero vê
Dançar catira
No azeite de dendê
Eu quero vê
Os baianos de aruanda
Trabalhando na umbanda
Pra quimbanda não vencer  

Quando eu vim lá da Bahia
Eu trouxe meu patua
Terreiro que tem mironga
Baiano quer mironga
Bahia e e e e  Bahia e e e a

Bahia, oh áfrica
venha nos ajudar
força baiana
força africana
força divina
vem cá, vem cá

Quando eu vim da Bahia
Estrada eu não via
Oi cada encruza que eu passava 
Uma vela eu acendia
Oi cada encruza que eu passava 
Uma vela eu acendia

Tava no mato, tava no mato
Tava bem escondidinho
Tava no mato, tava no mato
No dendê abaixadinho

Mas olha eu camará
Camarada meu
Sou severino
Que chegou aqui agora
Candomblé bato no keto
Umbanda bato na angola

Oi vamos baianada
Pisar no catimbó
Pra amarrar os inimigos
Na pontinha do cipó

Baiana da sai rendada
Seu tabuleiro de acarajé
Baiana ta no terreiro 
Sambando no candomblé
Na bahia tem
Vou mandar buscar
Lampião de vidro, oh sinhá dona
Para clarear

Auê meu são benedito
Ô saravá a sua coroa 
Ô saravá meu senhor do bonfim
Meu senhor malaquias 
Ô saravá todo povo da bahia 
Mas eu sonhei que estava na bahia 
E lá tem muito axé e eu cantava noite e dia 
Quando eu acordei uma baiana 
Me chamou era o recado de meu pai xangô 

Baiana cheia de axé baiana 
todo dia eu vejo a baiana cheia de axé 

Chamei a roda pra rodar baiana 
Vamos apanhar dendê na bahia 
Vamos apanhar dendê quero ver 

Só se for agora
Só se for agora
Baiano bota inimigo
Da porta pra fora 

Coquim coquim baiano 
Coquim lá da bahia
Coquim venceu demanda
Com a senhora da guia

Nesse terreiro tem baiano feiticeiro
Nesse terreiro tem baiano feiticeiro
O barra vento arrochado
Quero ver sambar ligeiro

Ole mulher rendera
Ole mulher renda
Tu me ensina a fazer renda
Que e tem ensino a namorar

Acorda Maria bonita
Levanta vem fazer o café
Que o dia já ta raiando 
E os polica já tao de pé

Baiano bom, baiano bom
Baiano bom é que sabe trabalhar
Baiano bom é que sobe no coqueiro
Tira a agua do coco e deixa o coco no lugar

Anoiteceu em São Paulo
Amanheceu na Bahia
Baianada vai embora
Com Deus e a Virgem Maria 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Cantigas de Caboclo

 Okê Caboclo

Quem manda na mata é Oxossi
Oxossi é caçador, Oxossi é caçador
Eu vi meu Pai assobiar
Ele mandou chamar
É de Aruanda ê
É de Aruanda a
Seu ___________
É de Aruanda ê


Vestimenta de caboclo
É samambaia é samambaia
É samambaia
Saia caboclo não se atrapalha
Saia do meio da samambaia


A sua terra é longe
Uma estrela brilhou
 Mais os seus filhos de umbanda
Já lhe procurou
Oi já lhe procurou, oi já lhe procurou
Quem é seu ________ de Umbanda 
Que até agora ainda não chegou 
Ainda não chegou, ainda não chegou
Quem é seu _________ de Umbanda 
Que até agora ainda não chegou


A estrela lá no céu brilhou
E a mata estremeceu 
Aonde anda o capangueiro da jurema
Que até agora não apareceu


Estava na beira do rio
Oi sem poder atravessar
Chamei, chamei pelo caboclo
Tupinambá chamei
Chamei, chamei e tornei a chamar ea


Se o seu saiote é carijó, 
e a sua fecha é de indaiá,
como caboclos vem serenos, como sereno é
Oxóssi é rei da macaia, 
Oxóssi é Rei da guiné
Ele atirou
Ele atirou ninguém viu
Seu Pena Branca é quem sabe
Aonde a flecha caiu


A coral é sua cinta
A jiboiá é sua lança
Oia, quizôa, quizôa, quizôa ê
Caboclo mora nas matas
Seu ________
Quando vem das matas
Ele traz na cinta uma cobra coral
Oi é uma cobra-coral
Caboclo, Caboclo ele é filho da guiné
Se seu pai é rei ele é príncipe é.


Eu mandei fazer,
Três capacetes de pena
Um é pra Jussara,
Outro é pra Jandira,
E outro é pra Jurema


Cobra-Coral
Sua banda está em festa
O céu e o mar estão cantando em seu louvor
Olha a cobra coral, piou, piou
Cobra coral está cantando em seu louvor


Caboclo não tem caminho para caminhar
Caminha por cima da folha
Por baixo da folha por todo lugar


No centro da mata virgem
Uma linda cabocla eu vi
Com seu saiote feito de penas
É Jurema filha de Tupi
Jurema, Jurema, Jurema
Ela é cabocla da lei suprema


Galo cantou na serra
A mata estremeceu
Caboclo seu Pena Branca
Na cachoeira apareceu
Ele é caboclo guerreiro
Que mora no rochedo
Somente cobra coral
Conhece dele o segredo


Eu vi na margem do rio
Em linda manhã serena 
Caboclo seu Pena Branca 
Firmando ponto na areia
Aqui nessa aldeia
Tem um caboclo que ele é leal
Ele não mora longe
Mora aqui mesmo nesse canzuá


Foi zambi quem criou o mundo
só zambi pode governar
foi zambi quem criou as estrelas
que iluminam oxossi lá no jurema.
Oke oke oke
oke meus caboclos oke
Na mata virgem uma coral piou
Ele atirou a sua flecha certeira (bis)
Ele atirou, ele atirou, ele atirou,
Atira caboclo lá nas matas da Jurema (bis)
Ê êeê Caboclo Sete Flexas no congá
Sarava seu Sete Flexas 
Ele é o Rei das matas
A sua bodoque atira
Caboclo, a sua flecha mata.


Vermelho é a cor do sangue do meu pai
e verde é a cor das matas
vermelho é a cor do sangue do meu pai
e verde é a cor das matas
Saravá seu _______ da Jurema 
Saravá a mata onde ele mora


No meio da mata eu vi
Dois nomes cravados num toco de pau
De um lado era seu ______
Do outro seu Cobra Coral
No meio da Mata Virgem eu vi
Os dois caboclos
Falavam a língua Tupi-guarani


Oh jureme, oh Jurema
Sua folha caiu serena
Oh Jurema
Dentro desse congá


Salve São Jorge guerreiro
Salve São Sebastião
Salve todos os caboclos
Que tem dentro da nação
Ele é caboclo ele é flecheiro


Bumba na calunga
E laçador de feiticeiro
Bumba na calunga
Mais ele vai firmar seu ponto
Bumba na calunga
E vai firmar nesse terreiro
Bumba na calunga



Jurema seu saiote é muito lindo
Seu capacete é azul
Como brilha o Diadema
Jurema ê, ê Jurema ê á
Jurema filha de Tupinambá


Ela sempre foi
E sempre será
Rainha lá das matas
Onde canta o sabiá
Oh jureme, oh juremá
É uma cabocla guerreira
Filha de Tupinambá
Ela atirou sua flecha
Ela atirou sem errar
É uma cabocla de pena


A mata a noite estava escura
Tão escura que não dava pra exergar
Foi quando oxala mandou
O astro rei pra tudo iluminar
E la na mata caboclo bradou
Para saudar a luz do novo dia
Pois ele é o caboclo do Sol
Que vem trazer a paz e alegria


Oh Caçador na beira do caminho
Oh não me mate essa coral na estrada
Ela abandonou sua choupana Caçador
Foi no romper da madrugada
Seu Pena Branca o caranga
Ta no congá o caranga
Seu Pena Branca o caranga
Ta no congá o caranga
Seu Pena Branca
O que mata é a sua
O que pia a cobra
Canta o sabiá e clareia a lua
Mas que lindo capacete de penas 
que tem a cabocla jurema
ela veio do reino do juremá 
ela vem saravá ê ê ê á
Olha a folha do coqueiro
Olha lá
Se meus caboclos for embora
Eu vou buscar 


Portão da Aldeia abriu Para Caboclo passar
É hora, é hora, é hora meus Caboclos 
É hora de trabalhar
 Auê auê auê boca da mata 
Deixa Caboclo passar boca da mata


E olha a folha do coqueiro 
Olha lá
Se meus caboclo for embora
Eu vou buscar
Olha eeee
Olha aaaa
Se meus caboclo for embora 
Eu vou buscar

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Cantigas de Boiadeiro

 Xetro Marrumbaxêtro - Xetruá



De lá vem vindo
De lá vem só
De lá trazendo
As forças maior


Pedrinha miudinha
Pedrinha de Aruanda eh
Lajedo tão grande
Tão grande de Aruanda eh
Oh meu lajedo é muito grande
De pedrinha miúda
De pedrinha miúda
Oh de pedrinha graúda


Eu tenho meu chapéu de couro
Eu tenho a minha guiada
Eu tenho o meu lenço vermelho
para tocar a minha vaquejada


Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que abarrotou
Foi tanta água que seu boi nadou
Foi tanta água que seu boi bebeu
Seu boiadeiro
Foi tanta água que seu boi nadou


Na minha boiada me falta boi
Oi me falta um ou me falta dois
Na minha boiada me falta boi
Oi me falta dois ou me falta três


Zai, zai, zai boa noite meus senhores
Zai, zai, zai boa noite e venham cá
Zai, zai, zai eu me chamo boiadeiro
Zai, zai, zai não nego meu natural


A menina do sobrado                                                  
Mandou me chamar, pois sou criado 
Eu mandei dizer a ela
Estou vaquejando o meu gado
Olô boiadeiro
Eu gosto do samba arrochado      


Oia a ponta do laçao vaqueiro
Oi vei topá
Oi vei topá
Cá na porteira do curral


E lá no mato
Tem um boiadeiro
Ele é bonito e formoso
Como o raio do sol


E como vai camarada
Eu vou indo
Eu venho aqui
Na tocada do sino


Em cima do meu lajedo
Eu bebi água no gravata
Sou boiadeiro
Eu bebi água no gravata
Sou gentileiro
Eu bebi água no gravata


Ê Boiadeiro Ele é Caboclo, 
Ele é guerreiro Laçador de gado bravo 
Quando chega no terreiro 
Ali faz o seu reinado Vaqueiro lá do sertão 
Trabalha de noite e dia 
Chapéu de couro na Mao 
É o rei da valentia 
Com o seu berrante de lado 
Vai o valente vaqueiro 
Ê Boiadeiro
Pela estrada onde ele anda 
Lá pra banda do sertão 
Seu laço vence demanda 
Seu chapéu a solidão 
Em cima de seu cavalo 
Vai tocando sua boiada 
Seu berrante é forte brado 
Vai rompendo a madrugada 
Quem é o vaqueiro cismado 
Ele é seu Boiadeiro

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Cantigas de Preto Velho

Adorei as Almas – Salve as santas almas benditas


Minhas almas
santas almas
olha a minha oração 
olha minhas santas almas
olha minha oração
eu louvei
eu louvei ao senhor
eu louvei as terras
de são salvador


Pombinho de zambi
pombinho de Obatalá.
 Vai meu pombo branco pra senzala de aruanda,
 vai buscar preto velho para trabalhar


Adorei as almas,
as almas me atenderam  
eram santas almas, 
lá do cruzeiro
 
E o vento que balança a folha guiné
 é o vento que balança a folha 
é, é, é pai guiné é o 
vento que balança a folha


Eu andava perambulando 
sem ter nada pra comer 
eu pedi às santas almas para vir me socorrer 
foi as almas que me ajudou 
meu divino espírito santo 
viva oh deus nosso senhor 


Pá pá pá bateram na porta no céu
pá pá pá São Pedro abriu pra ver quem é
mas era as almas santas benditas 
que se pesavam na balança de Miguel


Foi, foi Oxalá quem mandou  pedir 
quem mandou implorar 
que as santas almas viessem me ajudar 
que eu fosse na calunga de joelhos a implorar



Santo antonio de pemba
 segura a curimba segura 
o gongá eu sou filho de pemba 
eu não posso cair eu não posso tombar 
mas como caminhou 
meu pai mas como caminhou 
meu pai mas como caminhou 
santo antonio de pemba 
mas como caminhou 


Ele é pai de cabeça é o chefe do nosso gongá
ele é pai de cabeça é o chefe do nosso gongá
ô vento que balança as águas da bahia
ô deixa meu vôvô chico passar

Hoje é dia de festa no terreiro do meu pai
saravá meu vôvô chico que ele é o nosso pai
hoje é dia de festa no terreiro do meu pai
saravá meu vôvô chico que ele é o nosso pai
embala ê babá embala ê (4x)

Foi com as almas 
com as almas que eu conheci a umbanda 
foi com as almas
com as almas que eu conheci meu vôvô chico 
com as almas que eu conheci pai joaquim


La na angola tem um velho 
que não pode mais andar 
la na angola tem um velho 
que não pode mais andar 
ele vai bater macumba até o dia clarear
Dandá dandá vôvô dandá dandá vôvô
dandá dandá vôvô dandá dandá vôvô


Não chora no cativeiro, 
no cativeiro não deve chorar 4x
quando batia seis horas 
nega velha pegava o tambor 
corria pra sua urucaia 
saravá meu oxóssi saravá meu xangô 


eu plantei mandioca formiga comeu
plantei, plantei não planto mais
preto velho cadê seu gongá 
oh zig zig zig na senzala ficou lá 


No tempo da escravidão 
quando o senhor me batia
eu gritava por nossa senhora 
o meu deus, como a pancada doía 

Pai joaquim e e 
pai joaquim e a 
pai joaquim veio de angola
pai joaquim vem de angola angola 
Bate tambor na calada da noite oh negro!
Bate tambor até o dia clarear
Bate tambor na calada da noite
oh negro!
Bate tambor para louvar seu Orixá!


O Negro é vida, é história, é lamento
Um povo sofrido que viveu a escravidão
Vindos da Africa,onde tinham liberdade
Pra viver num mundo novo de tortura e opressão.

ê ê ê senzala
ê ê ê senzala aê
ê ê ê senzala
bate tambor o negro se libertou
ê ê ê senzala
ê ê ê senzala aê
ê ê ê senzala
Hoje não existe tanta dor.

Eeh Luanda, 

Terra da batuque, do macumba e do canjerê
Eu vou bater tambor
Eu vou bater tambor
Eu vou bater tambor
Eu vou bater tambor
fazer batuque pra chamar meu protetor
fazer batuque pra chamar meu protetor
fazer batuque pra chamar meu protetor
fazer batuque pra chamar meu protetor


A aroeira de São Benedito
Santo Antonio mandou lhe chamar
Na aroeira de São Benedito
Santo Antonio mandou lhe chamar
Pai Joaquim ê ê
Pai Joaquim ê a
Pai Joaquim veio de Angola
Pai Joaquim veio de Angola angolá



Despedida de Preto Velho



Ai como é lindo teu olhar 
ai como é lindo teu caminhar 
eu digo adeus está chegando a hora 
preto velho se despede 
e já vai embora
A sineta do ceu bateu
Osala já diz eu é hora
A sineta do ceu bateu
Osala já diz eu é hora
Eu eu eu vou 
Ficar com Deus e nossa Senhora
Eu vo eu vou eu vou
Ficar com Deus e nossa Senhora



Lamento a Preto Velho



Preto velho pisa, pisa devagar
Antigamente corria igual você
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
A sua estrada tem muita mironga
Tem muita historia boa de aprender
Em cada igreja que passa ele ora
Pedindo a Vigem que interceda por você
A sua estrada tem muita mironga
Tem muita historia boa de aprender
Em cada igreja que passa ele ora
Pedindo a Vigem que interceda por você
Em cada igreja que passa ele ora
Pedindo a Vigem que interceda por você
Preto velho pisa, pisa devagar
Antigamente corria igual você
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
De Sol à Sol como escravo se entregava
A vida dura, você tinha que ver
E a noitinha na senzala ele rezava
Pedindo a Zambi mais um dia pra viver
De Sol à Sol como escravo se entregava
A vida dura, você tinha que ver
E a noitinha na senzala ele rezava
Pedindo a Zambi mais um dia pra viver
E a noitinha na senzala ele rezava
Pedindo a Zambi mais um dia pra viver
Preto velho pisa, pisa devagar
Antigamente corria igual você
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
Oi Salve Deus, salve as almas benditas
Quem acredita vai saber entender
Que cada lagrima do velho quando rola
Faz aliviar os pecados de você
Oi Salve Deus, salve as almas benditas
Quem acredita vai saber entender
Que cada lagrima do velho quando rola
Faz aliviar os pecados de você
Preto velho pisa, pisa devagar
Antigamente corria igual você
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender
A muito tempo ele já sabe esperar
Coisa que hoje você tem que aprender

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Odù Aláfia

 As pessoas regidas por esse Odú, são:

-Teimosos

- Serenos 

- Calmos ao extremo 

não perdem a paciência por nada, estão sempre dispostos a ajudar aqueles que deles necessitam...

São francos e muito radicais em atitudes e pensamentos, possuem um grande senso de responsabilidade. 

São muito sábios.

Suas principais caracteristicas são a tranquilidade e alegria. 

Amante da paz, você cria um clima de harmonia á sua volta. 

Se mantiver o equilíbrio, sem dúvida alcançará o sucesso. 

Pessoas felizes e contagiantes e que têm dificulades de lidar com suas limitações. 

Seus nativos podem estar tristes e pobres e transformam tal situação com grande êxito de maneira repentina. 

Seu lado negativo é grandioso quando estas pessoas tendem a resistir e não tolerar as situações da vida, insistindo demais em assuntos que a pessoa mesmo não acredita.

Rumbê vai além de arrasar nas coisas do santo

 Tenha Rumbê!


Ser uma pessoa de rumbê vai além de arrasar nas coisas do santo

No candomblé, costumamos dizer que uma pessoa é de rumbê quando ela arrasa na roça. É aquela pessoa “pau pra toda obra” que garante a conclusão de qualquer trabalho a que seja designada.

No entanto, ser de rumbê vai muito além das coisas do santo. Não basta saber limpar um bicho, dar um osé, fazer um amací, preparar um ebó, pois uma casa de candomblé não se resume só a isso.

Ser de rumbê também é ter postura.

É pegar numa vassoura para varrer o barracão, a cozinha, os quartos…

É manter tudo em condições de uso.

É lavar a louça suja na pia, secar e guardar.

É zelar pela ordem e pelo bom andamento da casa.

É lavar a roupa, os panos de prato, as toalhas de mesa…

É ter uma linguagem apropriada.

É tratar todos (adeptos ou não) com educação.

É ter um sorriso estampado no rosto.

É ser atencioso(a).

É guardar os preceitos.

É fazer as coisas antes mesmo de pedirem e não esperar que tudo esteja um caos para depois fazer.

É manter-se calado(a) quanto à conversas em que participou ou ouviu.

É respeitar a todos.

É deixar as dependências da casa impecáveis (cozinha, barracão, quartos, banheiros, quintal…)

É dar sua opinião apenas quando for solicitada.

É não fazer fofocas.

É incluir a todos na comunidade do candomblé, apresentando e sendo amistoso.

É ter empatia.

É ser resiliente, saber aceitar e dar ordens de forma respeitosa.

É impor-se com educação e ternura.

É saber orientar e ser orientado.

É levantar cedo e cumprir suas tarefas.

É tratar como gostaria de ser tratado(a).

É através de nosso exemplo que passamos a imagem do que uma casa é. 

O candomblé nos ensina a amadurecer e a ter responsabilidade…e isso não é para qualquer um...

Odù Obeogundá

 As pessoas regidas por esse Odu, são sempre impulsionados pelo desejo de conquista e de domínio, 

e para atingirem esse objetivo assumem posturas ameaçadoras, que visem manter o controle sobre a situação. 

São corajosos

- Audaciosos

- Presunçosos,  

mas muito solícitas e prontas a socorrer à quem necessitem de seus préstimos. 

Possuem caráter altivo, sarcástico e indisciplinado. 

São amantes do trabalho.

Você uma pessoa rebelde e cheia de vontades, que muitas vezes não resiste a defender seu ponto de vista mesmo depois que percebe que está errado. 

Por isso, deve tomar cuidado para não se deixar dominar pelo nervosismo. 

Pessoas ricas de bons sentimentos e muito seletivos na escolha de relacionamentos. 

Têm personalidade dúbia, nunca se firmando no que querem realmente. 

Seu lado negativo traz a briga, problemas de saúde relacionado as pernas, disputas e negócios com pouca chance de vitória.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Toque dos Orisas - Ketu

 Nomes dos Toques dos Orixás na Nação Ketu:

ADABI – Bater para nascer é seu significado. Ritmo sincopado dedicado a Esú.

ADARRUM – Ritmo invocatório de todos os Orixás. Rápido, forte e contínuo marcado junto com o Agôgô. Pode ser acompanhado de canto especialmente para Ogun.

AGUERE – Em Yorubá significa “lentidão”. Ritmo cadenciado para Osóssi com andamento mais rápido para Iansã. Quando executado para Iansã é chamado de “quebra-pratos”

ALUJÁ – Significa orifício ou perfuração. Toque rápido com características guerreiras. É dedicado a Sangô.

BRAVUM – Dedicado a Osumaré .Ritmo marcado por golpes fortes do Run.

HUNTÓ ou RUNTÓ – Ritmo de origem Fon executado para Osumaré. Pode ser executado com cânticos para Omulu e Sangô

IGBIN – Significa Caracol. Execução lenta com batidas fortes. Descreve a viagem de um Ancião. É dedicada a Osalufan.

IJESA – Ritmo cadenciado tocado só com as mãos. É dedicado a Osum quando sua execução é só instrumental.

ILU – Termo da língua Yorubá que também significa atabaque ou tambor

BATA – Batá significa tambor para culto de Egun e Sangô . Ritmo cadenciado especialmente para Sangô. Pode ser tocado para outros Orisás. Tocado com as mãos.

KORIN- EWE – Originário de Irawo, cidade onde é cultuado Ossain na Nigéria. O seu significado é “Canção das Folhas”.

OGUELE – Ritmo atribuído a Obá. Executado com cânticos para Ewá.

OPANIJE – Dedicado a Omulu, Onile e Sapanã. Andamento lento marcado por batidas fortes do Run. Significa “o que mata e come”

SATÓ – A sua execução lembra o ritmo Bata com um andamento mais rápido e marcado pelas batidas do Run. Dedicado a Osumaré ou Nanã. Significa a manifestação de algo sagrado.

TONIBOBÉ – Pedir e adorar com justiça é o seu significado. Tocado para Sangô

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Odù Iká

 As pessoas regidas por esse Odú, são:

- Muito orgulhosas

- Confiantes e por essa razão costumam chutar a felicidade, passando ao arrependimento logo após, mas elas inúmeras vezes, se recuperam e se renovam. 

- Prestativas 

- Agradáveis

- Agressivas

- Violentas

- Corajosas e nunca hesitam diante do perigo

- Fingem ser viris

- Gostam de vaidade embora não sejam vaidosos, e esforçam-se para sobressaírem em todos os meios e em todas as áreas, lutando com sua dupla personalidade.

- Paciência e sabedoria são suas principais características. 

- Versátil, você se dá bem em qualquer atividade. 

Poderá passar por provações materiais e sentimentais, mas sempre saberá reencontrar o caminho para felicidade. 

Com seus nativos é sempre bom ter muita cautela por se tratarem de pessoas com opinião inconstante de onde pode se esperar tudo. 

São pessoas difíceis de lidar. 

Tem o viço da juventude e o carisma de um olhar malicioso e pentrante, perigoso, com pensamentos intensos. 

Gostam de aproveitar os prazer da vida intensamente. 

Se adaptam facilmente a uma situação e dela tiram sempre proveito ou experiência. 

Seu lado negativo traz arrependimento por oportunidades perdidas, doenças passageiras e dificuldades financeiras.